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O que houve com o Silicon Valley Bank (SVB) e para onde vai todo esse dinheiro agora?

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O Silicon Valley Bank (SVB) é uma instituição financeira consolidada no mercado, no entanto, existem rumores recentes de que a empresa estaria passando por dificuldades financeiras. Vamos entender um pouco da sua história e por quais motivos ele se encontra nessa situação revelada na última semana.

A História

SVB foi fundada em 1983 por um grupo de empresários do Vale do Silício que viu a necessidade de uma instituição financeira especializada em atender às necessidades de empresas de tecnologia e inovação. Com mais de 2.500 startups e executivos como clientes, o SVB se tornou uma referência no setor bancário de tecnologia, oferecendo serviços financeiros personalizados para empresas de tecnologia, ciências da vida, mercados de capital e investimentos imobiliários como empréstimos, depósitos, serviços de gerenciamento de caixa, serviços de câmbio e vários outros.

O SVB tem uma longa história de apoio a empresas inovadoras em todas as fases de crescimento, desde startups até empresas de capital aberto, incluindo nomes conhecidos como Apple, Google, LinkedIn e Tesla. A instituição financeira também tem uma forte presença global, com operações em todo o mundo, incluindo escritórios na América do Norte, Europa, Ásia e América Latina.

Em resumo, a história do SVB é a história de uma instituição financeira que acreditou na inovação e no potencial das empresas de tecnologia para transformar o mundo. O SVB continua a ser uma das principais instituições financeiras do setor bancário de tecnologia, oferecendo serviços financeiros personalizados para empresas inovadoras em todo o mundo.

Os Por quês

A pandemia e a crise econômica advinda dela parecem ter influenciado negativamente o setor financeiro em todo o mundo, e isso afeta diretamente o desempenho do Silicon Valley Bank também. Na semana passada, os correntistas do banco tentaram sacar os seus saldos. O desafio é que, muitas vezes, o dinheiro não está disponível, já que os bancos o investem em outras atividades.

Vale lembrar que a situação atual do mercado financeiro é bastante delicada e incerta, e muitas empresas estão sendo afetadas por isso. No entanto, muitas coisas aconteceram antes disso.

Numa postagem muito interessante, meu mentor de finanças e contabilidade estratégica, Marcus Morelli, explica o principal motivo da crise da SVB.

A partir de 2008, as taxas de juros estavam muito baixas, principalmente nos países desenvolvidos, incluindo os próprios Estados Unidos da América: maior celeiro de startups do mundo, o que resultou em uma explosão de transações de capital de risco. Como resultado, houve um crescimento frenético nos depósitos bancários do SVB, originários de IPOs (Initial Public Offering – oferta pública inicial), SPACs (Special Purpose Acquisition Companies – Sociedades de Aquisição de Propósito Específico), investimentos de VCs (Venture Capitals), entre outros.

Devido a esses eventos de liquidez, o volume de empréstimos no SVB diminuiu significativamente. Os empréstimos são uma maneira importante para um banco ganhar dinheiro. Então, para remunerar seu capital, o SVB decidiu comprar títulos do governo, cujo valor cai quando os juros sobem.

O banco tinha muitos ativos que passaram a valer menos à medida que as taxas de juros subiam. E elas subiram muito, como medida de controle da inflação.

Quando as taxas subiram, o dinheiro das VCs secou. Para pagar as contas, as startups começaram a sacar seus saldos bancários. Para honrar os saques, o SVB vendeu US$ 21 bilhões em títulos, resultando em uma perda de US$ 1,8 bilhão. Além disso, tentaram vender US$ 2,2 bilhões em ações para fortalecer seu balanço. A Moody’s rebaixou a classificação de crédito do banco.

Os clientes tentaram sacar um quarto de todos os depósitos do SVB, o valor de US$ 42 bilhões em um único dia, 9/03/23. O dinheiro saiu tão rápido que o banco se viu desamparado. A venda de ações foi cancelada. O SVB tentou se vender, e os reguladores intervieram.

Embora os depositantes não segurados acabem sendo socorridos pelo governo, eles não têm acesso ao dinheiro agora. O efeito imediato é no fluxo de caixa das startups que o utilizavam.

Um outro fator que pode ter contribuído para a ruína do SVB é o fato de ter clientes quase que exclusivamente do mercado das startups, o que aumentou consideravelmente o seu risco.

De fato, ter uma carteira de clientes concentrada em um único setor pode aumentar o risco de uma instituição financeira, especialmente em um setor altamente volátil como o das startups. É importante que as instituições financeiras diversifiquem suas carteiras de clientes e investimentos para minimizar esses riscos.

Por isso, é fundamental que as instituições financeiras implementem medidas de gestão de risco eficazes para garantir sua estabilidade financeira e a segurança de seus clientes e investidores.

Para onde vai todo o dinheiro que estava na SVB?

Em nossa última reunião de sócios da GoldStreet Venture Capital, Gustavo Ipolito Jr., Hélio Guilherme, Paulo Humaitá e eu, levantamos a hipótese do Brasil aproveitar a oportunidade para captar parte desse volume financeiro para investimentos em startups brasileiras, uma vez que o setor bancário brasileiro é bem regulado e sólido, oferecendo menor risco de mercado e liquidez.

E é essencial que as startups e fundos aproveitem de fato essa movimentação global de capital da forma correta para atrair esse investimento para o nosso país.

 

* Dennis Nakamura ajudou startups a crescerem como o iFood, Westwing e outros. Atualmente é sócio da GoldStreet Venture Capital e mentor de negócios digitais.



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